Guia de referência · Coloração de corais
Aquele coral vivíssimo da loja chegou em casa e virou marrom? Ou perdeu a cor e ficou pálido? A coloração dos corais conta exatamente o que está acontecendo com a luz e a água. Entenda de onde vem a cor e como trazê-la de volta.
01 · De onde vem
A cor de um coral nasce de duas fontes diferentes, e entender essa divisão explica quase tudo. Os tons marrons e dourados vêm das zooxantelas, as algas que vivem dentro do coral e fazem fotossíntese. Quanto mais algas, mais marrom o coral fica.
Já as cores vibrantes, os rosas, roxos, verdes e azuis elétricos, vêm de proteínas pigmentares que o próprio coral fabrica, em boa parte como proteção contra o excesso de luz. Algumas dessas proteínas são fluorescentes: elas absorvem a luz azul e a devolvem como verde, laranja ou vermelho brilhante. É por isso que sob luz azul os corais parecem brilhar de dentro.
Marrom é alga. Cor vibrante é o coral se protegendo. Ler a cor é entender qual dos dois está dominando.
02 · O papel da luz
Em aquários domésticos, a razão mais comum de uma mudança brusca de cor é a iluminação. A lógica é direta e tem três estados:
Com pouca luz, o coral cria mais zooxantelas para captar o que tem. O resultado é escurecimento e perda das cores vivas.
Com luz excessiva, o coral expulsa as algas para se proteger e clareia, podendo branquear por completo.
Na intensidade certa, o coral produz proteínas protetoras coloridas. É aí que as cores aparecem em todo o esplendor.
Some a isso o espectro: a luz azul e actínica é a que mais ativa a fluorescência. O mesmo coral, sob luz branca de dia ou sob luz azul de reef, parece dois animais diferentes. Experimente abaixo.
03 · Espectro interativo
Arraste da luz branca de dia para a luz azul actínica e veja o mesmo coral revelar a fluorescência, exatamente o que acontece no seu aquário.
Sob luz branca, o coral mostra cores naturais e mais apagadas. É a mesma luz do sol do meio-dia.
◆ Por que isso importa
O coral lindíssimo que você vê na loja quase sempre está sob luz azul intensa, que realça a fluorescência. Em casa, sob outro espectro, ele pode parecer mais apagado sem nada de errado com ele. A cor que você enxerga depende tanto do coral quanto da luz que você escolhe.
04 · Os outros fatores
A luz é a causa principal, mas não a única. Quatro fatores trabalham junto na cor que você vê.
Nitrato e fosfato altos deixam o coral marrom, com cores barrentas. Níveis baixos, mas não zero, costumam revelar cores mais limpas e vivas.
Alcalinidade, cálcio e magnésio estáveis sustentam a cor, principalmente em SPS. Oscilação é estresse, e estresse apaga cor.
Circulação adequada mantém o coral limpo e bem nutrido, o que se traduz em pólipos abertos e cor melhor.
Cada coral tem um teto de cor escrito nos genes. A luz e a água ajudam a expressar esse potencial, mas não criam cor que não existe.
05 · Como realçar
Intensidade na faixa do coral e espectro azul dominante. É a alavanca que mais muda a cor, e a primeira a revisar.
Mantenha nitrato e fosfato baixos e estáveis, sem zerar. Corais marrons quase sempre estão em água rica demais.
Alcalinidade, cálcio e magnésio firmes ao longo do tempo. Estabilidade vale mais que qualquer número perfeito isolado.
Cor não volta em um dia. Depois de ajustar luz e água, o coral leva semanas para reconstruir os pigmentos. Resista à tentação de mudar tudo de novo.
◆ A genética é o teto
Você consegue levar um coral até o máximo da cor que ele é capaz de expressar, mas não além. Se um coral simplesmente não tem o pigmento, nenhuma luz ou suplemento vai inventar. Por isso, ao escolher corais coloridos, a procedência e a linhagem importam tanto quanto o cuidado que você vai dar.