Guia de referência · Algas marinhas

Alga não é o problema. É o recado.

Todo aquário marinho passa por algas, sem exceção. O erro do iniciante é tentar matar a alga em vez de escutar o que ela está dizendo sobre a água. Identifique o tipo, entenda a causa e resolva na raiz.

Por que aparece Cada tipo, cada causa Diagnóstico interativo
verde incomoda · roxa é saúde

Alga é desequilíbrio com endereço

Alga não nasce do nada. Ela precisa de combustível, e esse combustível são os nutrientes na água, principalmente nitrato e fosfato, somados a luz e tempo. Quando algum desses fatores sai do equilíbrio, a alga aparece para ocupar o espaço. Por isso ela é tão útil: funciona como um aviso visível de que algo na água precisa de ajuste.

Existem quatro alavancas por trás de quase todo surto de alga. Entender quais delas estão desreguladas é metade do caminho para resolver.

Nutrientes

Nitrato e fosfato em excesso são o principal combustível. Vêm de comida demais e detrito acumulado.

Luz

Fotoperíodo longo demais ou lâmpadas velhas favorecem a alga mais do que os corais.

Circulação

Pontos parados acumulam detrito e viram berço de alga e cianobactéria. Fluxo é prevenção.

Maturidade

Aquário novo ainda não tem equilíbrio biológico. Muita alga inicial é só falta de tempo.

Você não combate alga esfregando vidro. Combate ajustando nutriente, luz, fluxo e dando tempo ao aquário.

O aquário novo sempre passa por isso

Nas primeiras semanas, é normal o aquário ficar com uma camada marrom de aspecto sujo cobrindo a areia e o vidro. São as diatomáceas, e elas surgem porque o sistema ainda está amadurecendo e há silicato e nutrientes disponíveis. Quase todo aquário marinho passa por essa fase feia.

A boa notícia: ela passa sozinha. Conforme as bactérias amadurecem e a alga coralina começa a tomar conta da rocha, as diatomáceas perdem espaço e somem. O erro aqui é entrar em pânico e começar a mexer em tudo. Tenha paciência, mantenha a rotina e deixe o aquário trabalhar.

Que alga é essa?

Escolha o que mais se parece com o que você está vendo. O diagnóstico diz o que é, qual a causa provável e como resolver. Inclusive avisa quando o que parece alga ruim é, na verdade, sinal de saúde.

Diagnóstico de alga

Interativo

O que você está vendo?

As alavancas de controle

Seja qual for a alga, o combate de verdade passa por estas cinco ações. Mexer numa só raramente resolve; o segredo é o conjunto.

  1. Corte os nutrientes na fonte

    Alimente menos e em porções que sejam consumidas por completo. Sifone o detrito e faça trocas de água regulares para exportar nitrato e fosfato.

  2. Exporte o que sobra

    Skimmer bem regulado, removedor de fosfato quando necessário e, se possível, um refúgio com macroalga competem com a alga indesejada por nutriente.

  3. Ajuste a luz

    Reduza o fotoperíodo e a intensidade, e troque lâmpadas velhas. Menos luz para a alga, sem prejudicar os corais.

  4. Aumente a circulação

    Elimine pontos parados. Mais fluxo dificulta a fixação de alga e principalmente da cianobactéria.

  5. Monte a equipe de limpeza

    Caramujos, ermitões e alguns peixes herbívoros pastam a alga continuamente. Eles são a manutenção viva do aquário.

Dois cuidados que mudam tudo

◆ Coralina não é praga

A crosta dura rosa ou roxa que se espalha pela rocha e pelo vidro é a alga coralina, e ela é desejada. É sinal de água madura e parâmetros estáveis. Não raspe da rocha; raspe apenas do vidro frontal por estética. Confundir coralina com praga é um dos enganos mais comuns de quem está começando.

◆ Cuidado com o nutriente zero

Existe um ponto em que zerar nutrientes vira problema: os dinoflagelados costumam surgir justamente em sistemas limpos demais e pobres em vida microbiana. Por isso o objetivo nunca é zero absoluto, e sim um nível baixo e estável. Aquário estéril não é aquário saudável.