Guia de referência · Algas marinhas
Todo aquário marinho passa por algas, sem exceção. O erro do iniciante é tentar matar a alga em vez de escutar o que ela está dizendo sobre a água. Identifique o tipo, entenda a causa e resolva na raiz.
01 · Por que aparece
Alga não nasce do nada. Ela precisa de combustível, e esse combustível são os nutrientes na água, principalmente nitrato e fosfato, somados a luz e tempo. Quando algum desses fatores sai do equilíbrio, a alga aparece para ocupar o espaço. Por isso ela é tão útil: funciona como um aviso visível de que algo na água precisa de ajuste.
Existem quatro alavancas por trás de quase todo surto de alga. Entender quais delas estão desreguladas é metade do caminho para resolver.
Nitrato e fosfato em excesso são o principal combustível. Vêm de comida demais e detrito acumulado.
Fotoperíodo longo demais ou lâmpadas velhas favorecem a alga mais do que os corais.
Pontos parados acumulam detrito e viram berço de alga e cianobactéria. Fluxo é prevenção.
Aquário novo ainda não tem equilíbrio biológico. Muita alga inicial é só falta de tempo.
Você não combate alga esfregando vidro. Combate ajustando nutriente, luz, fluxo e dando tempo ao aquário.
02 · A fase feia
Nas primeiras semanas, é normal o aquário ficar com uma camada marrom de aspecto sujo cobrindo a areia e o vidro. São as diatomáceas, e elas surgem porque o sistema ainda está amadurecendo e há silicato e nutrientes disponíveis. Quase todo aquário marinho passa por essa fase feia.
A boa notícia: ela passa sozinha. Conforme as bactérias amadurecem e a alga coralina começa a tomar conta da rocha, as diatomáceas perdem espaço e somem. O erro aqui é entrar em pânico e começar a mexer em tudo. Tenha paciência, mantenha a rotina e deixe o aquário trabalhar.
03 · Diagnóstico
Escolha o que mais se parece com o que você está vendo. O diagnóstico diz o que é, qual a causa provável e como resolver. Inclusive avisa quando o que parece alga ruim é, na verdade, sinal de saúde.
O que você está vendo?
04 · Como resolver
Seja qual for a alga, o combate de verdade passa por estas cinco ações. Mexer numa só raramente resolve; o segredo é o conjunto.
Alimente menos e em porções que sejam consumidas por completo. Sifone o detrito e faça trocas de água regulares para exportar nitrato e fosfato.
Skimmer bem regulado, removedor de fosfato quando necessário e, se possível, um refúgio com macroalga competem com a alga indesejada por nutriente.
Reduza o fotoperíodo e a intensidade, e troque lâmpadas velhas. Menos luz para a alga, sem prejudicar os corais.
Elimine pontos parados. Mais fluxo dificulta a fixação de alga e principalmente da cianobactéria.
Caramujos, ermitões e alguns peixes herbívoros pastam a alga continuamente. Eles são a manutenção viva do aquário.
05 · Atenção
◆ Coralina não é praga
A crosta dura rosa ou roxa que se espalha pela rocha e pelo vidro é a alga coralina, e ela é desejada. É sinal de água madura e parâmetros estáveis. Não raspe da rocha; raspe apenas do vidro frontal por estética. Confundir coralina com praga é um dos enganos mais comuns de quem está começando.
◆ Cuidado com o nutriente zero
Existe um ponto em que zerar nutrientes vira problema: os dinoflagelados costumam surgir justamente em sistemas limpos demais e pobres em vida microbiana. Por isso o objetivo nunca é zero absoluto, e sim um nível baixo e estável. Aquário estéril não é aquário saudável.