Guia definitivo · Aquário marinho
Aclimatação bem feita é o que separa um animal que prospera por anos de um que morre na primeira noite. Este é o passo a passo completo, com um assistente que cronometra cada etapa pra você.
01 · Por quê
O motivo é simples: a água do saco em que o animal foi transportado tem uma química completamente diferente da água do seu aquário. Temperatura, pH e salinidade quase nunca batem. Peixes, e principalmente invertebrados e corais, reagem mal até a variações mínimas. Um choque brusco causa estresse severo, queimadura osmótica e, com frequência, morte em poucas horas.
Aclimatar é introduzir o animal à química da sua água de forma gradual e controlada. O processo termina quando há equilíbrio: o recipiente de transição passa a ter a mesma química do aquário e o animal parece ajustado. Como cada espécie tolera mudanças de um jeito, existem dois métodos com ritmos diferentes.
Não importa o método, a regra de ouro é uma só: tenha paciência e nunca apresse. O processo inteiro não deve passar de duas horas.
02 · Escolha o método
Comece pela escolha certa. Toque em um cartão para ver o passo a passo e liberar o assistente correspondente.
Método A · Flutuação
A ideia é deixar o saco boiar para igualar a temperatura e, depois, misturar a água do aquário aos poucos. Funciona muito bem para a maior parte dos peixes.
E reduza a iluminação do ambiente onde você vai abrir os sacos. Luz forte e súbita causa trauma.
Isso iguala a temperatura da água do saco com a do aquário, sem ainda misturar nada.
⏱ 15:00Corte logo abaixo do nó e role a borda superior uns 3 cm para fora, criando uma bolsa de ar. Assim o saco flutua sozinho na superfície.
Meia xícara. É a primeira diluição.
Sempre ~120 ml por vez, com 4 minutos de intervalo entre cada adição.
⏱ 4:00 por doseTire o saco do aquário e jogue fora metade do conteúdo.
Coloque o saco de volta e continue adicionando ~120 ml a cada 4 minutos até encher de novo.
Use um puçá. Transfira só o peixe, nunca a água.
Jamais despeje a água do transporte dentro do aquário.
Dê esse tempo para o animal se ajustar ao novo ambiente no escuro.
⏱ 4 horasO cronômetro avisa quando cada intervalo termina.
Método B · Gotejamento
É o método mais avançado e o único recomendado para vida sensível: caramujos, corais, camarões, estrelas-do-mar, bodiões e similares. Você vai precisar de um kit de gotejamento (vendido à parte) e de disposição para acompanhar o processo do início ao fim. Separe um balde limpo de 12 a 20 litros, de uso exclusivo para aquário. Se for aclimatar peixes e invertebrados juntos, use um balde para cada.
E diminua a luz do ambiente antes de abrir os sacos.
Para igualar a temperatura, igual ao método de flutuação.
⏱ 15:00Despeje o conteúdo (com a água) no balde, sem expor invertebrados sensíveis ao ar. Se houver pouca água, incline o balde a 45° para manter o animal submerso até acumular volume.
Leve uma linha de gotejamento do aquário até o balde. A mangueira rígida apoia na borda; a válvula do kit controla a vazão. Use um kit por balde.
Inicie o sifão e regule a válvula. Nesse ritmo, o volume do balde dobra a cada meia hora.
◷ 2 a 4 gotas/segE continue gotejando até dobrar mais uma vez, cerca de uma hora no total.
Esponjas, tridacnas e gorgônias nunca podem tocar o ar. Recolha-os ainda dentro do saco/recipiente, totalmente cobertos de água.
Mergulhe o saco na água do aquário e retire o animal por baixo. Feche o saco ainda submerso torcendo a abertura e remova. Uma pequena quantidade de água diluída vai escapar, e tudo bem. Nunca toque a parte “carnuda” de um coral vivo.
O ritmo certo é entre 2 e 4 gotas por segundo. Veja como deve parecer.
◆ Densidade é vida ou morte
A maioria dos invertebrados e plantas marinhas é muito mais sensível que peixes a variações de densidade. Aclimate sempre para uma densidade entre 1.023 e 1.025, ou o animal pode sofrer estresse severo. Meça com hidrômetro ou, de preferência, refratômetro.
03 · Regras de ouro
04 · Quando dá errado
Em alguns casos, um ou mais habitantes antigos perseguem e estressam o novo morador. Duas soluções práticas:
Solução 1 · O coador flutuante
Um coador de macarrão de plástico limpo serve para conter o valentão por algumas horas. Boie o cesto perfurado no aquário, pesque o agressor e deixe-o lá por cerca de 4 horas enquanto o novato explora. Nunca coloque o recém-chegado no cesto, pois ele precisa conhecer o aquário. Isolar o agressor reduz drasticamente o estresse do novo peixe.
Solução 2 · A divisória de tela
Uma grade plástica perfurada (dessas de luminária, achada em loja de material de construção) pode ser cortada na largura do aquário e usada para separar peixes territoriais ou agressivos do novo morador por um tempo.
05 · Recomendação forte
Não é obrigatório, mas é altamente recomendado: mantenha todo animal novo em um aquário de quarentena separado por duas semanas antes de introduzir no aquário principal. A quarentena reduz estresse, permite observar sinais de doença e condiciona o animal com segurança, protegendo todo o resto do seu sistema.
◆ Resumo de bolso
Flutuação: boiar 15 min → diluir 120 ml a cada 4 min → descartar metade → repetir → soltar.
Gotejamento: boiar 15 min → balde → 2 a 4 gotas/seg → dobrou, descarta metade → dobrou de novo (~1 h) → soltar submerso.
Sempre: luzes apagadas 4 h depois. Nunca: água do transporte no aquário.